domingo, 19 de abril de 2026

A Terra NÃO nasceu em Cartório

Todos sabemos que existem palavras que não apenas nomeiam… Elas "escolhem alvos"...

“Invasor”, dizem... E dizem com a tranquilidade de quem olha para a terra brasileira como se ela tivesse nascido em cartório; como se cada hectare tivesse brotado já com matrícula, assinatura e carimbo... Como se o passado fosse um arquivo limpo, onde a História não mancha. Porém, o Brasil não começou no cartório, começou na concessão. A Lei de Terras de 1850 não distribuiu terra: ela vendeu e ao fazer isso, desenhou uma fronteira invisível que atravessa o país até hoje; a terra deixou de ser acesso e virou mercadoria, acessível a quem já tinha recursos, inacessível a quem só tinha o corpo e a força de trabalho... Mas antes disso, o sistema de Sesmarias já havia premiado poucos com muito; depois disso, a legalidade consolidou o que a desigualdade já havia iniciado.

E então veio o tempo... Um tempo longo - paciente - que permitiu que muitas posses se transformassem em propriedades, que muitos conflitos fossem esquecidos, que muitas origens deixassem de ser questionadas... Não porque foram resolvidas, mas porque deixaram de ser investigadas; porque quando se fala em rigor, ele escolhe por onde começar e no Brasil, sempre se começa de baixo para cima... Nunca começa perguntando como nasceram certas grandes propriedades, nunca acelera processos fundiários antigos que atravessam décadas (às vezes séculos) em disputas silenciosa, nunca exige com a mesma pressa, que o topo prove aquilo que cobra da base.

E não é preciso acusar indivíduos! O sistema, por si só, já fala! Ele fala na concentração de terra, onde uma parcela pequena de proprietários controla extensões imensas, enquanto milhões seguem sem acesso... Fala nos conflitos agrários recorrentes, que atravessam gerações como uma herança amarga; fala nas regularizações que chegam para alguns com rapidez… E para outros, nunca chegam.

E foi nesse terreno que nasceu o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, não como exceção, mas como consequência. Consequência de um país que reconheceu o direito à propriedade muito antes de garantir o direito à terra! Consequência de uma Constituição que, em 1988, finalmente declarou que a propriedade deve cumprir função social, mas que - na prática - ainda luta para transformar princípio em realidade.

E enquanto esse conflito segue aberto, surge a tentativa de simplificá-lo com uma palavra: “Invasão”; só que o Direito não é tão simples quanto o discurso, pois fala em posse, em função social, em esbulho, em reintegração, reconhecendo que há disputas que são civis, históricas, estruturais e não apenas criminais. O Direito hesita onde a Política grita... E ainda assim, insistem em transformar essa complexidade em filtro.

O Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar, criado para fortalecer pequenos produtores, passa a exigir aquilo que muitos nunca tiveram acesso: regularidade plena, documentação completa, reconhecimento formal. É uma lógica circular: nega-se a terra, depois exige-se o documento da terra e por fim se nega o direito a quem não conseguiu provar aquilo que nunca pôde ter! Enquanto isso, o tempo continua sendo um privilégio... Quem tem estrutura jurídica, quem pode esperar anos, quem pode recorrer indefinidamente, quem pode transformar processos em estratégia… Esse raramente é alcançado pela urgência da lei. Já quem precisa plantar amanhã, comer amanhã, existir amanhã… Esse não tem o luxo da espera...

E assim (sem alarde) se desenha uma fronteira; não entre o certo e o errado, mas entre o possível e o impossível. Entre quem consegue existir dentro da legalidade… E quem foi historicamente empurrado para fora dela; por isso, chamar de “invasor” apenas quem ocupa hoje não é precisão histórica, é recorte, é escolha.

Porque, no final das contas, a pergunta não é quem ocupa, é sobre quem sempre pôde ocupar sem ser questionado! Quem transformou posse em propriedade ao longo do tempo, quem herdou não apenas a terra… Mas o silêncio sobre a própria origem e essa pergunta - a mais antiga de todas - segue atravessando o Brasil como uma raiz profunda, invisível e incômoda; uma raiz que nenhum projeto de lei consegue arrancar. Porque não está na superfície... Está na história.

sexta-feira, 27 de março de 2026

O REGIME BOL卐ONARO


Ah que chame de governo, há que use a expressão desgoverno, mas - de fato - o Brasil viveu 4 anos sob um experimento ainda mais assustador e muito mais sombrio: o Regime Bol卐onaro.

Em primeiro lugar, Jair Bol卐onaro nunca foi um “outsider” como se vendia aos incautos; assim como nunca foi ruptura e mas sim a radicalização de um projeto que sempre existiu: defender o capitalismo selvagem e preservar o sistema econômico intacto, custe o que custar (inclusive a própria Democracia); enquanto o então presidente vendia ao povo a fantasia de combate ao “sistema”, o que se via era o fortalecimento do seu núcleo mais duro: o capitalismo sem freios, sem mediação, sem compromisso social e com o cúmplice Paulo Guedes, o Estado não foi redesenhado para proteger os mais vulneráveis, mas sim encolhido onde doía menos para os poderosos e flexibilizado onde o mercado exigia mais espaço para avançar...

Contudo, regimes não se sustentam apenas na economia, pois precisam de uma linguagem própria e foi na linguagem que o Bol卐onarismo operou como uma máquina alucinada de corrosão social ao normalizar o ódio, transformar a mentira em método e tratar adversários como inimigos a serem eliminados, não politicamente, mas moralmente (e quem sabe, fisicamente); logo, qualquer divergência virou traição, o diálogo virou fraqueza e a violência simbólica virou triste rotina e tudo isso, aplaudido por pessoas que há muito trocaram a própria dignidade para lamber o chão onde Bol卐onaro pisava. Agora, nada disso é 'mero detalhe' e sim, método.

Mas há um ponto que precisa ser dito, sobretudo para os mais jovens; uma geração inteira cresceu vendo os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff e passaram a acreditar que se tratava do “o sistema”; mas não o fizeram por escolha consciente, mas por falta de memória do que veio antes e é justamente aí que a distorção encontra terreno fértil. Aliás, neste ponto vale apontar que os apoiadores de primeira hora do bol卐onarismo era da terceira idade e estes, vistos como sábios pelos mais jovens, foram criando todo um universo paralelo onde não tivemos o Golpe de 1964 e sim uma revolução, que a ditadura militar só matou vagabundo e por aí vai. Agora, muitos desses jovens - filhos de mães-solo, de trabalhadores invisíveis, de histórias duras - não herdaram de Lula e Dilma apenas discursos, mas sim, oportunidades concretas; por exemplo: o Programa Universidade para Todos (ProUni) abriu portas onde antes havia paredes e ainda assim, paradoxalmente, foram instados a acreditar que tudo isso fazia parte de um “sistema” a ser combatido.

Ao contrário desses governos, que operaram dentro do capitalismo tentando, com limites e contradições, domesticar suas desigualdades, o que se viu no Regime Bol卐onaro foi outra escolha: não conter o sistema, mas liberá-lo de amarras sociais, políticas e até éticas! E para que esse projeto avançasse, era necessário um inimigo permanente; um “sistema” inventado, recortado, reduzido a um período da História... Uma narrativa conveniente para esconder o óbvio: nunca se combateu o sistema, apenas se tomou partido dele.

E bem, o resultado foi um país mais dividido, mais brutalizado, mais confuso sobre si mesmo; um país onde a Democracia foi tensionada até o limite, não por acidente, mas por estratégia; afinal, quando a mentira vira linguagem oficial e o ódio vira ferramenta política, o nome já não importa tanto... O que importa é o fenômeno e o fenômeno responde a dois nomes: Regime Bol卐onaro ou mesmo: FASCISMO.

terça-feira, 24 de março de 2026

O TEATRO DO ÓDIO


Dizem que, em algum ponto não registrado nos mapas oficiais, o Brasil deixou de ser apenas um país e passou a ser também um espelho quebrado... E cada estilhaço refletia uma versão da verdade, mas havia aqueles que - por conveniência ou desespero - escolheram viver apenas no fragmento mais distorcido...

Houve um tempo em que Esquerda e Direita se encontravam como velhos adversários que (apesar das diferenças) ainda reconheciam a língua um do outro; discutiam, citavam livros, evocavam pensadores e sim, havia, mesmo no conflito, uma espécie de respeito ritual, como se soubessem que o debate era um campo onde idéias duelavam, não pessoas. Mas esse tempo foi sendo corroído... Não de uma vez, como desabam as grandes estruturas, mas aos poucos, como madeira apodrecendo por dentro, silenciosamente... Até que um dia já não sustenta o próprio peso e a Direita, aquela que se pretendia liberal, racional, estruturada, foi sendo engolida por uma criatura mais ruidosa, mais simples e infinitamente mais voraz: a extrema-direita. E não, essa nova força não discutia, ela gritava; não argumentava, ela acusava; não construía nada, apenas destruía...

E, como toda entidade que se alimenta do caos, encontrou terreno fértil numa população que aprendera a decorar fórmulas, mas não a pensar; que acumulava diplomas como quem coleciona molduras vazias, sem jamais preenchê-las com o quadro do Conhecimento; uma gente que desaprendeu a ler o mundo, mas se tornou especialista em repetir manchetes, slogans e mentiras com a fé cega dos convertidos; as mentiras - aliás - ganharam um estatuto curioso: mesmo desmascaradas, recusavam-se a morrer! Eram como fantasmas teimosos, mantidos vivos não por insistência da verdade, mas pela necessidade de acreditar neles e assim, o que já fôra exposto como falso ressurgia, curtido, compartilhado e defendido com unhas e dentes, como se a repetição pudesse reescrever a realidade... E foi nesse terreno já envenenado que algo antigo voltou a respirar... Como se uma velha cadela esquecida na História tivesse voltado ao cio, inquieta, faminta, cercada por filhotes que aprenderam rápido demais a rosnar e a exibir os dentes e babar virulência e iniqüidades... E esses filhotes cresceram, multiplicaram-se e foram se espalhando por ruas e avenidas e até mesmo pelas esquinas reais, vomitando aos quatro ventos palavras de ordem que pareciam enterradas e esquecidas há muito tempo.

“Deus, pátria e família” voltou a ecoar como senha; uma senha que abre portas para excluir, pra perseguir, pra silenciar... Repetida por bocas que já não perguntam, apenas obedecem, como refrão que dispensa música...

E de algum lugar ainda mais sombrio, ressurgem ecos de frases que a História já havia condenado, idéias que flertam despudoradamente com o autoritarismo como quem revive um vício antigo; símbolos reciclados, gestos disfarçados, nostalgias perigosas que caminham disfarçadas de Tradição... E mesmo as Galinhas Verdes - que um dia pareceram caricatura - voltam a ciscar no imaginário coletivo, agora menos risíveis e mais organizadas, falando em mitos enquanto arrotam lombo canadense a cada dentada no pão com mortadela... E elas não vêm sozinhas. Trazem consigo uma estética da violência, um culto à força, uma necessidade quase religiosa de encontrar inimigos... E encontram; sempre encontram. E seguem a apontar seus dedos para mulheres que ousaram existir com autonomia, pra pessoas LGBTQIA+ cuja simples presença já é tratada como afronta, para religiões de matriz africana que carregam séculos de resistência e, por isso mesmo, incomodam tanto; enquanto o ódio - como um maestro perverso - organiza sua sinfonia escolhendo alvos que historicamente já haviam sido empurrados às margens...

E a platéia (ou seria mais honesto chamá-la de 'patuléia'?) aplaude... Mas o mais estranho, talvez, seja perceber quem ocupa essas cadeiras; gente que atravessou portas que sempre lhes estiveram fechadas! Pessoas que - não faz tanto tempo - viram políticas públicas valorizarem o salário-mínimo, elevando-o acima da inflação, puxando consigo um pouco mais de dignidade; gente que passou a comer melhor, a estudar, a ocupar espaços que antes lhes eram negados, a comprar utensílios que viam nas casas de seus patrões, como um simples forno de microondas! E eu vi isso acontecer!

Eu vi - por exemplo - no Paineiras, os filhos da classe média torcendo o nariz diante da chegada dos filhos da classe trabalhadora (a quem chamavam, sem pudor, de “baianos” enquanto murmuravam, incomodados: “agora entra qualquer um”)... Eu vi trabalhadores que, pela primeira vez, experimentaram o gôsto raro de uma vida menos apertada; não o luxo - nunca o luxo - mas o alívio; algo que seus pais jamais conheceram (mesmo trabalhando de sol a sol por anos a fi), o direito ao simples: comer sem contar moedas, sonhar sem pedir licença... Mas havia um detalhe invisível; disseram a eles que aquilo não era conquista coletiva, mas ascensão individual; sussurraram, com a delicadeza de um veneno, que já não eram o que sempre foram, que haviam atravessado uma fronteira simbólica e agora pertenciam a outro lugar; que poderiam, enfim, sentar-se à mesa da classe média... E eles acreditaram, afinal, a promessa de pertencimento é uma das mais sedutoras que existem. Não, não lhes disseram - porém - que classe média não é apenas renda, é herança, é rede; é sobrenome que abre portas antes mesmo de se bater! É privilégio acumulado em silêncio por gerações. Privilégios que nunca tiveram e que, apesar da ilusão, seguem sem ter... Assim, passaram a atacar aquilo que os havia erguido, como se negar a própria origem fosse o preço da aceitação, misturaram-se a uma classe média que não os reconhece como iguais, mas aceita sua adesão ao discurso... Afinal, quanto mais vozes repetindo a mesma narrativa, mais confortável se torna a mentira! E é assim que a ilusão se sustenta: não pela verdade que carrega, mas pelo coro que a repete!

Enquanto isso - lá no alto, quase fora de vista - uma elite antiga e persistente segue operando como sempre fez: manipulando, moldando, direcionando... Já não precisa convencer com profundidade, basta alimentar o ruído, basta alimentar o ódio... E encontra na mídia hegemônica (ou seria 'hereditária'?) um espelho conveniente, que não reflete, mas distorce; que não informa, mas deforma, como já se sussurra pelas esquinas mais atentas, melhor frequentadas. E assim o país vai se tornando essa espécie de realismo trágico, onde o absurdo não causa mais espanto, apenas cansaço... A Direita, aquela que um dia debateu idéias, virou memória rarefeita, quase uma lenda contada por quem ainda se lembra; no lugar dela, ergueu-se um coro de certezas vazias, movido por medo, ressentimento e uma estranha nostalgia de um passado que nunca existiu... E no fundo desse coro, latindo baixo, persistente, está essa velha cadela da história, sempre à espreita, sempre fértil, sempre pronta para lembrar que o esquecimento é o terreno favorito de tudo aquilo que nunca deveria voltar...

E, no meio de tudo isso, a verdade continua fazendo o que sempre fez: caminhando devagar... Sem gritar, sem máscara... Esperando - pacientemente - o momento em que alguém, cansado de tanto ruido, tanto eco, decida finalmente escutá-la.

quinta-feira, 29 de maio de 2025

O CIRCO

A turminha 'perseguida'

Em um momento em que a Democracia brasileira ainda se recupera dos graves ataques sofridos em 8 de janeiro de 2023, a realização de uma suposta "audiência pública" em Pindamonhangaba, intitulada "Cruzada pela Anistia", configura-se como um lamentável teatro político. O evento foi articulado para legitimar narrativas perigosas e antidemocráticas, promovido por Vereadores que - em vez de enfrentar os reais problemas da cidade - preferem alimentar polêmicas vazias e inócuas.

Com "Convidados Especiais" marcados por histórico de ataques às instituições, negacionismo e litígios questionáveis, nossos representantes se afundam no lodaçal de ignorância bolsonarista, envergonhando nossa Casa de Leis, nossa cidade e a si mesmos. Vejamos o histórico dessas figuras:

Felipe Gimenez - Ex-Procurador do Estado do Mato Grosso do Sul, autointitulado "especialista em democracia", é conhecido por declarações infundadas que colocam em xeque a legitimidade do sistema eleitoral brasileiro. Gimenez afirmou - sem apresentar provas -  que Lula não foi eleito, mas "escolhido" pelo TSE e pelo STF (narrativa amplamente ecoada por Jair Bolsonaro dois dias após os ataques às sedes dos Três Poderes). Defensor da contagem manual de votos, Gimenez chegou a comparar o processo eleitoral a uma assembleia de condomínio em que o síndico manipula o resultado e também já defendeu publicamente a intervenção das Forças Armadas no sistema político. Em diversas ocasiões participou de lives ao lado de figuras como Eduardo Bolsonaro, sendo apresentado como "especialista em transparência eleitoral". Diante de suas declarações, a Procuradoria-Geral do Estado de Mato Grosso do Sul precisou se manifestar, deixando claro que suas opiniões não representam a instituição. 

Paulo Faria - Advogado do ex-Deputado Federal Daniel Silveira, condenado por ameaças ao Supremo Tribunal Federal (STF) e por incitação à violência contra as instituições democráticas; Faria ficou conhecido por adotar uma postura de confronto direto com o Judiciário, especialmente contra o Ministro Alexandre de Moraes; em sua atuação, foi multado pelo STF por litigância de má-fé, devido à insistência em recorrer com argumentos já rejeitados. Em audiência na Câmara dos Deputados, Faria pediu anistia para os chamados "presos políticos de Moraes", classificando como traidores da pátria os 364 Deputados Federais que votaram pela prisão de seu cliente.

Cláudio Caivano - Advogado de réus pelos atos de 8 de janeiro; é conhecido por sua retórica inflamada e pelo histórico judicial controverso... Foi condenado por xenofobia e racismo contra um zelador nordestino e punido por litigância de má-fé após uma série de processos improcedentes contra o Google; já foi expulso da Câmara dos Deputados após se envolver em tumultos e é adepto da narrativa de que o Brasil vive sob uma tirania. Minimiza os atos de vandalismo de 8 de janeiro, afirmando que os presos são vítimas de perseguição, apesar das evidências em vídeo, muitas produzidas pelos próprios criminosos; chegou a comparar os ataques em Brasília ao incêndio do Reichstag em 1933, utilizado por Hitler para consolidar seu poder no regime nazista. Em suas falas, Caivano acusa a imprensa de estar alinhada ao governo e chega a afirmar que há um plano para desmantelar a Polícia Militar do Distrito Federal e substituí-la por uma Polícia Federal "controlada pelo governo".

A Câmara Municipal de Pindamonhangaba atravessa uma perigosa fronteira ao transformar uma audiência pública em palanque para defensores de golpistas, negacionistas eleitorais e ativistas que atacam abertamente o sistema Judiciário brasileiro ao invés de promover debates sobre as questões urgentes que afetam a cidade - o que não faltam são reclamações sobre a Saúde, Educação e segurança - nossos representantes optam por abrir espaço institucional para vozes desacreditadas, comprometidas com a distorção da realidade e a disseminação de desinformação. Portanto, a participação dessas figuras em um evento oficial levanta sérias dúvidas sobre a legitimidade, a imparcialidade e a utilidade pública da audiência promovida! 

Não se trata de garantir pluralidade de ideias, como alguns podem alegar, pois trata-se de institucionalizar a radicalização e normalizar discursos de ódio, negacionismo e revisionismo histórico; a quem serve uma audiência pública que relativiza os crimes cometidos em 8 de janeiro? Que tipo de mensagem a Câmara Municipal envia ao povo ao permitir que se questione, sem base legal, as decisões do STF, do TSE e do Ministério Público?

Ao abrir espaço para quem tenta reescrever os fatos com base em teorias conspiratórias, a Casa de Leis abandona sua função democrática e se torna cúmplice de uma agenda autoritária; não é apenas um erro de julgamento: é um endosso explícito à tentativa de minar a confiança da população nas instituições que sustentam o Estado Democrático de Direito; afinal, questionar as decisões da Justiça com base em delírios ideológicos não é um exercício de liberdade e (sim) um ataque direto ao Judiciário e à própria idéia de Democracia! As decisões do STF e do Ministério Público em relação aos ataques de 8 de janeiro não foram arbitrárias, pois foram amparadas pela Constituição e pela legislação vigente, com o objetivo de proteger o país de um movimento que visava instaurar o caos e romper a ordem democrática. Defender a anistia de criminosos que atentaram contra a República não é um gesto de paz e sim um gesto de cumplicidade.

Se os Vereadores de Pindamonhangaba realmente desejam honrar seus mandatos e servir ao povo, que escolham o caminho da Responsabilidade, da Verdade e do Compromisso com os reais desafios da cidade, ponto. 

Transformar a Câmara Municipal em um palco para a propagação do autoritarismo - disfarçado de liberdade de expressão - é (sem sombra de dúvida) uma traição ao voto popular e à Constituição brasileira; portanto, é preciso deixar claro: a Democracia não se negocia! Golpistas julgados e condenados não são mártires, são criminosos! E audiências públicas não devem jamais ser utilizadas como palco para reabilitar moralmente quem atentou contra a República... Dar espaço institucional a esse tipo de discurso não é ingenuidade nem descuido e - sim - cumplicidade consciente com a radicalização política.

Ao legitimar essas vozes, a Câmara Municipal se afasta de seu dever republicano e se alinha, deliberadamente, aos que tentam corroer os pilares do Estado Democrático de Direito.

A sociedade pindamonhangabense merece representantes à altura de sua dignidade e não cúmplices de um projeto autoritário que ameaça o presente e compromete o futuro.



quarta-feira, 28 de maio de 2025

PARABÉNS AOS ENVOLVIDOS!


Desesperada por uma vergonha para chamar de sua, a Câmara Municipal de Pindamonhangaba decidiu inovar: transformou o plenário - que deveria servir à Democracia - em palco de stand-up ideológico da pior qualidade. O espetáculo da vez? Uma “audiência pública” estrelada por Cláudio Luis Caivano, advogado cujo currículo é uma coletânea de polêmicas, fake news e militância digital em favor de réus já condenados. Palmas, senhores!

E que ninguém se iluda! O show encenado ali não terá nada de debate sério - trata-se de uma encenação grotesca - bancada com dinheiro público, com o único objetivo de pintar de verniz acadêmico a narrativa da extrema-direita que ainda tenta reescrever o vexame de 8 de janeiro como se fosse um episódio de resistência heróica e a responsabilização como "perseguição" (só se estiverem sido perseguidos pelo Código Penal, diga-se de passagem).

Mas é claro que sempre dá pra piorar o que já nasceu mal... O convidado - vejam só - sequer tem formação adequada na área jurídica que se propõe a comentar! Não, não se trata de um renomado Jurista, muito menos de um Constitucionalista ou Criminalista, quanto mais um especialista em Direito Penal ou Processo Penal; seu repertório inclui uma pós-graduação em Direito Tributário e um cursinho em Compliance e Governança Corporativa; ou seja: está mais preparado para falar sobre boletos do que sobre a Constituição! Ainda assim, foi ungido como autoridade no tema da anistia aos golpistas... Um deslize? Não: uma escolha calculada! Caivano se aproveita do caos político para tentar se projetar como liderança da extrema-direita e a nossa Casa de Leis resolveu dar palco, microfone e holofote!

Agora, vamos à parte mais divertida (ou trágica, dependendo do humor de quem lê):
Quem é Cláudio Caivano?

🔹 Um advogado com condenação por ofensas racistas e xenofóbicas a um zelador nordestino — chamou o trabalhador de “ignorante” e fez comentários depreciativos sobre sua origem. Pois é, esse é o “especialista” que a Câmara achou por bem ouvir.

🔹 Um cidadão multado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo por litigância de má-fé, após tentar calar críticos e manter no ar vídeos com desinformação sobre vacinas. Sim, estamos falando de um notório inimigo da ciência e da verdade.

🔹 Um agitador expulso da Câmara dos Deputados por comportamento inadequado. Educação e decoro realmente não fazem parte do pacote.

E agora, Pindamonhangaba o recebe com tapete vermelho... Como se fosse um pensador de peso, um filósofo do século XXI ou sei lá... um Jurista. O sujeito - entre uma live e outra - se dedica a romantizar vândalos que invadiram prédios públicos, chamando-os de “presos políticos” e defende anistia para quem tentou explodir o aeroporto de Brasília. Debate? Não! É apologia descarada ao crime... E por que tudo isso é um escândalo? Simples: a Câmara de Vereadores tem a obrigação de legislar para o bem da nossa cidade, mas preferiu abrir espaço, gastar tempo e dinheiro (público), para oferecer palanque a quem vive de ódio, cliques e desinformação. Enquanto isso, a população enfrenta desafios reais, como Saúde precária, Escolas sucateadas, insegurança nas ruas...

Não, não se trata de “liberdade de expressão”, mas sim, de cumplicidade com o autoritarismo, até porque a tal “anistia” que Caivano prega não é sobre reconciliação, mas sobre impunidade; é sobre premiar quem atentou contra a Democracia.

Pindamonhangaba não é trampolim para delírios extremistas. É nossa casa. E merece respeito.

Portanto, nada mais justo do que a Câmara cancelar imediatamente essa vergonha travestida de debate (fraudulento, diga-se de passagem) e volte a focar no que realmente importa: trabalho digno, saúde de qualidade e segurança para nossa gente.

Parabéns aos envolvidos! Conseguiram - com louvor - manchar o nome da cidade! Se foram eleitos pra isso, sucesso! 


terça-feira, 27 de maio de 2025

DEUS, PÁTRIA, FAMÍLIA...

E BURRICE!

Vivemos tempos sombrios - sim - mas não por acaso; não por fatalidade... Vivemos na era da imbecilização voluntária, na qual uma legião de eleitores (muitos deles supostamente "esclarecidos") entrega o destino do país a palhaços de TikTok, a machões de redes sociais, a charlatães que transformam o debate público numa rinha de egos; e o pior? Fazem isso achando que estão sendo "engajados", "do contra"... Não, são apenas os velhos idiotas úteis de sempre, aplaudindo a própria ruína.

A Política no país virou um reality show de terceira categoria, onde vale tudo: mentiras descaradas, discursos de ódio disfarçados de "opinião polêmica", ataques covardes a minorias, glorificação da ignorância e o povo - ao invés de reagir com o justo e devido nojo - aplaude! Compartilha, ri, faz meme.

De fato, infelizmente, nosso Congresso virou um antro de sociopatas da pior espécie, a escória da escória, pois não essa gente não é política! São performers do caos! Usam a tribuna não para debater idéias, mas para humilhar, mentir, provocar; são especialistas em criar inimigos imaginários, em alimentar paranóias coletivas, em transformar questões complexas em brigas de torcida organizada e o que oferecem em troca? Nada! Zero projetos, zero soluções; apenas ódio, cortina de fumaça e um narcisismo doentio. Dizem representar "o cidadão de bem", mas seu único projeto de poder é o saque ao erário, o ataque às instituições, o culto à personalidade de um líder messiânico que já vislumbra a cadeia. São falsos moralistas, fariseus modernos que usam a Bíblia como arma e o Estado como cabide de empregos.

O mais revoltante? O mais vergonhoso? É que essa gentalha foi eleita democraticamente! Foram votados por gente que acha que política se resume a "bater no esquerdista", a "lacrar na internet", a "não ser politicamente correto"; gente que confunde destruição com coragem, gritaria com debate e meme com argumento! Essa é a grande tragédia: o Brasil está sendo governado por analfabetos políticos (muitos - desconfio - são também analfabetos funcionais) que não sabem - e não querem saber - como se constrói um país; seu único talento é polarizar, dividir e mentir, mas mentir muito, sem freios, sem limites (pois sabem que quem os elegeu acredita em tudo o que dizem, por mais mentiroso e baixo que seja). E enquanto o pão e o circo distraem, eles destroem a Educação, a Saúde, a Economia, o Meio-Ambiente e o futuro...

Chega de fingir que isso é normal, chega de achar que "todo político é igual", pois não, não é! Há gente decente na Política, mas ela está sendo sufocada por essa onda de barbárie institucionalizada, em que o pior comportamento é recompensado com likes, votos e poder.

O povo precisa acordar, pra ontem! Porque o preço da irresponsabilidade eleitoral não é abstrato e se mede em: famílias passando fome enquanto políticos brincam de guerra cultural, crianças sem escola enquanto Deputados gastam milhões com propaganda inútil, hospitais em colapso enquanto o orçamento é desviado... O país queimando enquanto o Congresso discute bobagens como essa vergonhosa tentativa de tirar criminosos da cadeia e evitar que seu líder supremo, o supra-sumo da vagabundagem na Política, também seja preso.

Isso não é Esquerda vs. Direita, até porque na Direita NÃO existe mais no Brasil! Ela foi cooptada pela extrema-direita, pelo neo-fascismo brazuca... O que temos é Civilização vs. Barbárie, sem sombra de dúvida; portanto, ou reagimos ou afundamos. E não adianta só reclamar nas redes sociais; não adianta só compartilhar indignação; é preciso votar certo, cobrar, participar, exigir, afinal. Política não é entretenimento! É vida! É o chão que pisamos, o ar que respiramos, o futuro que deixaremos para nossos filhos. Logo, se continuarmos tratando a Política como um jogo de ego, se continuarmos elegendo bufões, milicianos, golpistas e enganadores, então não temos direito de reclamar quando o país virar um inferno.

A escolha é nossa.

E o preço da irresponsabilidade, nós já estamos pagando.

EM CARNE VIVA

E eu sou um homem que sente demais; que olha para o céu e pergunta por quê... Como quem implora ao tempo que o vento volte com aquele amor que, um dia, pareceu ser pra sempre. Eu sou canceriano e carrego nas costas uma infância de silêncios, uma juventude de esperas e uma vida inteira procurando por olhos que me enxergassem além da superfície...

E então... Você; tão linda que doía olhar; tão cheia de mundos dentro de si, que eu me via pequeno, mas disposto a morar em cada um... Você, com seus traumas, suas desconfianças, com esse escudo invisível todo feito de dores passadas que nenhum homem soube - ou quis - atravessar. Mas eu quis. Eu quis estar com você nas horas profundas; eu quis ser abrigo, ser porto... Eu quis segurar sua mão quando o mundo balançasse; eu quis te amar até você acreditar que ainda era possível ser amada.

E você... Você desacreditava de tudo; do amor, da cura, de mim; me olhava com uma ternura vigiada, como quem sentia, mas não se permitia.

E isso me quebrou.

Porque amar alguém que não acredita no amor, é como dançar no vazio, é como gritar embaixo d’água, é como morrer devagar… Esperando um sorriso...

Mas eu amei.

Amei com cada pedaço partido; amei por mim, por você, pelo que poderíamos ter sido. Amei com raiva, com medo, com fé e acima de tudo - com verdade; porque quando te vi, entendi que o amor da minha vida seria também o maior dos meus desafios... E eu aceitei. Aceitei porque amar você, mesmo que só por um tempo, foi me reconhecer inteiro pela primeira vez.

Hoje, escrevo isso com o peito aberto. Em carne viva... Como se cada palavra fosse costura e sangramento; como se amar ainda doesse e dói; mas se é pra doer, que seja bonito e que seja seu nome.

E mesmo que você nunca leia estas palavras doloridas, mesmo que siga sem acreditar, deixo aqui esta confissão de poeta: eu teria sido o seu lar; eu teria ficado... Até o fim; com tudo; por tudo, por você... Em carne viva.

A Terra NÃO nasceu em Cartório

Todos sabemos que existem palavras que não apenas nomeiam… Elas "escolhem alvos"... “Invasor”, dizem... E dizem com a tranquilidad...