sexta-feira, 27 de março de 2026

O REGIME BOL卐ONARO


Ah que chame de governo, há que use a expressão desgoverno, mas - de fato - o Brasil viveu 4 anos sob um experimento ainda mais assustador e muito mais sombrio: o Regime Bol卐onaro.

Em primeiro lugar, Jair Bol卐onaro nunca foi um “outsider” como se vendia aos incautos; assim como nunca foi ruptura e mas sim a radicalização de um projeto que sempre existiu: defender o capitalismo selvagem e preservar o sistema econômico intacto, custe o que custar (inclusive a própria Democracia); enquanto o então presidente vendia ao povo a fantasia de combate ao “sistema”, o que se via era o fortalecimento do seu núcleo mais duro: o capitalismo sem freios, sem mediação, sem compromisso social e com o cúmplice Paulo Guedes, o Estado não foi redesenhado para proteger os mais vulneráveis, mas sim encolhido onde doía menos para os poderosos e flexibilizado onde o mercado exigia mais espaço para avançar...

Contudo, regimes não se sustentam apenas na economia, pois precisam de uma linguagem própria e foi na linguagem que o Bol卐onarismo operou como uma máquina alucinada de corrosão social ao normalizar o ódio, transformar a mentira em método e tratar adversários como inimigos a serem eliminados, não politicamente, mas moralmente (e quem sabe, fisicamente); logo, qualquer divergência virou traição, o diálogo virou fraqueza e a violência simbólica virou triste rotina e tudo isso, aplaudido por pessoas que há muito trocaram a própria dignidade para lamber o chão onde Bol卐onaro pisava. Agora, nada disso é 'mero detalhe' e sim, método.

Mas há um ponto que precisa ser dito, sobretudo para os mais jovens; uma geração inteira cresceu vendo os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff e passaram a acreditar que se tratava do “o sistema”; mas não o fizeram por escolha consciente, mas por falta de memória do que veio antes e é justamente aí que a distorção encontra terreno fértil. Aliás, neste ponto vale apontar que os apoiadores de primeira hora do bol卐onarismo era da terceira idade e estes, vistos como sábios pelos mais jovens, foram criando todo um universo paralelo onde não tivemos o Golpe de 1964 e sim uma revolução, que a ditadura militar só matou vagabundo e por aí vai. Agora, muitos desses jovens - filhos de mães-solo, de trabalhadores invisíveis, de histórias duras - não herdaram de Lula e Dilma apenas discursos, mas sim, oportunidades concretas; por exemplo: o Programa Universidade para Todos (ProUni) abriu portas onde antes havia paredes e ainda assim, paradoxalmente, foram instados a acreditar que tudo isso fazia parte de um “sistema” a ser combatido.

Ao contrário desses governos, que operaram dentro do capitalismo tentando, com limites e contradições, domesticar suas desigualdades, o que se viu no Regime Bol卐onaro foi outra escolha: não conter o sistema, mas liberá-lo de amarras sociais, políticas e até éticas! E para que esse projeto avançasse, era necessário um inimigo permanente; um “sistema” inventado, recortado, reduzido a um período da História... Uma narrativa conveniente para esconder o óbvio: nunca se combateu o sistema, apenas se tomou partido dele.

E bem, o resultado foi um país mais dividido, mais brutalizado, mais confuso sobre si mesmo; um país onde a Democracia foi tensionada até o limite, não por acidente, mas por estratégia; afinal, quando a mentira vira linguagem oficial e o ódio vira ferramenta política, o nome já não importa tanto... O que importa é o fenômeno e o fenômeno responde a dois nomes: Regime Bol卐onaro ou mesmo: FASCISMO.

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