terça-feira, 27 de maio de 2025

EM CARNE VIVA

E eu sou um homem que sente demais; que olha para o céu e pergunta por quê... Como quem implora ao tempo que o vento volte com aquele amor que, um dia, pareceu ser pra sempre. Eu sou canceriano e carrego nas costas uma infância de silêncios, uma juventude de esperas e uma vida inteira procurando por olhos que me enxergassem além da superfície...

E então... Você; tão linda que doía olhar; tão cheia de mundos dentro de si, que eu me via pequeno, mas disposto a morar em cada um... Você, com seus traumas, suas desconfianças, com esse escudo invisível todo feito de dores passadas que nenhum homem soube - ou quis - atravessar. Mas eu quis. Eu quis estar com você nas horas profundas; eu quis ser abrigo, ser porto... Eu quis segurar sua mão quando o mundo balançasse; eu quis te amar até você acreditar que ainda era possível ser amada.

E você... Você desacreditava de tudo; do amor, da cura, de mim; me olhava com uma ternura vigiada, como quem sentia, mas não se permitia.

E isso me quebrou.

Porque amar alguém que não acredita no amor, é como dançar no vazio, é como gritar embaixo d’água, é como morrer devagar… Esperando um sorriso...

Mas eu amei.

Amei com cada pedaço partido; amei por mim, por você, pelo que poderíamos ter sido. Amei com raiva, com medo, com fé e acima de tudo - com verdade; porque quando te vi, entendi que o amor da minha vida seria também o maior dos meus desafios... E eu aceitei. Aceitei porque amar você, mesmo que só por um tempo, foi me reconhecer inteiro pela primeira vez.

Hoje, escrevo isso com o peito aberto. Em carne viva... Como se cada palavra fosse costura e sangramento; como se amar ainda doesse e dói; mas se é pra doer, que seja bonito e que seja seu nome.

E mesmo que você nunca leia estas palavras doloridas, mesmo que siga sem acreditar, deixo aqui esta confissão de poeta: eu teria sido o seu lar; eu teria ficado... Até o fim; com tudo; por tudo, por você... Em carne viva.

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