quinta-feira, 29 de maio de 2025

O CIRCO

A turminha 'perseguida'

Em um momento em que a Democracia brasileira ainda se recupera dos graves ataques sofridos em 8 de janeiro de 2023, a realização de uma suposta "audiência pública" em Pindamonhangaba, intitulada "Cruzada pela Anistia", configura-se como um lamentável teatro político. O evento foi articulado para legitimar narrativas perigosas e antidemocráticas, promovido por Vereadores que - em vez de enfrentar os reais problemas da cidade - preferem alimentar polêmicas vazias e inócuas.

Com "Convidados Especiais" marcados por histórico de ataques às instituições, negacionismo e litígios questionáveis, nossos representantes se afundam no lodaçal de ignorância bolsonarista, envergonhando nossa Casa de Leis, nossa cidade e a si mesmos. Vejamos o histórico dessas figuras:

Felipe Gimenez - Ex-Procurador do Estado do Mato Grosso do Sul, autointitulado "especialista em democracia", é conhecido por declarações infundadas que colocam em xeque a legitimidade do sistema eleitoral brasileiro. Gimenez afirmou - sem apresentar provas -  que Lula não foi eleito, mas "escolhido" pelo TSE e pelo STF (narrativa amplamente ecoada por Jair Bolsonaro dois dias após os ataques às sedes dos Três Poderes). Defensor da contagem manual de votos, Gimenez chegou a comparar o processo eleitoral a uma assembleia de condomínio em que o síndico manipula o resultado e também já defendeu publicamente a intervenção das Forças Armadas no sistema político. Em diversas ocasiões participou de lives ao lado de figuras como Eduardo Bolsonaro, sendo apresentado como "especialista em transparência eleitoral". Diante de suas declarações, a Procuradoria-Geral do Estado de Mato Grosso do Sul precisou se manifestar, deixando claro que suas opiniões não representam a instituição. 

Paulo Faria - Advogado do ex-Deputado Federal Daniel Silveira, condenado por ameaças ao Supremo Tribunal Federal (STF) e por incitação à violência contra as instituições democráticas; Faria ficou conhecido por adotar uma postura de confronto direto com o Judiciário, especialmente contra o Ministro Alexandre de Moraes; em sua atuação, foi multado pelo STF por litigância de má-fé, devido à insistência em recorrer com argumentos já rejeitados. Em audiência na Câmara dos Deputados, Faria pediu anistia para os chamados "presos políticos de Moraes", classificando como traidores da pátria os 364 Deputados Federais que votaram pela prisão de seu cliente.

Cláudio Caivano - Advogado de réus pelos atos de 8 de janeiro; é conhecido por sua retórica inflamada e pelo histórico judicial controverso... Foi condenado por xenofobia e racismo contra um zelador nordestino e punido por litigância de má-fé após uma série de processos improcedentes contra o Google; já foi expulso da Câmara dos Deputados após se envolver em tumultos e é adepto da narrativa de que o Brasil vive sob uma tirania. Minimiza os atos de vandalismo de 8 de janeiro, afirmando que os presos são vítimas de perseguição, apesar das evidências em vídeo, muitas produzidas pelos próprios criminosos; chegou a comparar os ataques em Brasília ao incêndio do Reichstag em 1933, utilizado por Hitler para consolidar seu poder no regime nazista. Em suas falas, Caivano acusa a imprensa de estar alinhada ao governo e chega a afirmar que há um plano para desmantelar a Polícia Militar do Distrito Federal e substituí-la por uma Polícia Federal "controlada pelo governo".

A Câmara Municipal de Pindamonhangaba atravessa uma perigosa fronteira ao transformar uma audiência pública em palanque para defensores de golpistas, negacionistas eleitorais e ativistas que atacam abertamente o sistema Judiciário brasileiro ao invés de promover debates sobre as questões urgentes que afetam a cidade - o que não faltam são reclamações sobre a Saúde, Educação e segurança - nossos representantes optam por abrir espaço institucional para vozes desacreditadas, comprometidas com a distorção da realidade e a disseminação de desinformação. Portanto, a participação dessas figuras em um evento oficial levanta sérias dúvidas sobre a legitimidade, a imparcialidade e a utilidade pública da audiência promovida! 

Não se trata de garantir pluralidade de ideias, como alguns podem alegar, pois trata-se de institucionalizar a radicalização e normalizar discursos de ódio, negacionismo e revisionismo histórico; a quem serve uma audiência pública que relativiza os crimes cometidos em 8 de janeiro? Que tipo de mensagem a Câmara Municipal envia ao povo ao permitir que se questione, sem base legal, as decisões do STF, do TSE e do Ministério Público?

Ao abrir espaço para quem tenta reescrever os fatos com base em teorias conspiratórias, a Casa de Leis abandona sua função democrática e se torna cúmplice de uma agenda autoritária; não é apenas um erro de julgamento: é um endosso explícito à tentativa de minar a confiança da população nas instituições que sustentam o Estado Democrático de Direito; afinal, questionar as decisões da Justiça com base em delírios ideológicos não é um exercício de liberdade e (sim) um ataque direto ao Judiciário e à própria idéia de Democracia! As decisões do STF e do Ministério Público em relação aos ataques de 8 de janeiro não foram arbitrárias, pois foram amparadas pela Constituição e pela legislação vigente, com o objetivo de proteger o país de um movimento que visava instaurar o caos e romper a ordem democrática. Defender a anistia de criminosos que atentaram contra a República não é um gesto de paz e sim um gesto de cumplicidade.

Se os Vereadores de Pindamonhangaba realmente desejam honrar seus mandatos e servir ao povo, que escolham o caminho da Responsabilidade, da Verdade e do Compromisso com os reais desafios da cidade, ponto. 

Transformar a Câmara Municipal em um palco para a propagação do autoritarismo - disfarçado de liberdade de expressão - é (sem sombra de dúvida) uma traição ao voto popular e à Constituição brasileira; portanto, é preciso deixar claro: a Democracia não se negocia! Golpistas julgados e condenados não são mártires, são criminosos! E audiências públicas não devem jamais ser utilizadas como palco para reabilitar moralmente quem atentou contra a República... Dar espaço institucional a esse tipo de discurso não é ingenuidade nem descuido e - sim - cumplicidade consciente com a radicalização política.

Ao legitimar essas vozes, a Câmara Municipal se afasta de seu dever republicano e se alinha, deliberadamente, aos que tentam corroer os pilares do Estado Democrático de Direito.

A sociedade pindamonhangabense merece representantes à altura de sua dignidade e não cúmplices de um projeto autoritário que ameaça o presente e compromete o futuro.



Nenhum comentário:

Postar um comentário

O TEATRO DO ÓDIO

Dizem que, em algum ponto não registrado nos mapas oficiais, o Brasil deixou de ser apenas um país e passou a ser também um espelho quebrado...