UMA TRAGÉDIA EM 3 LINHAS (ou menos, por favor!)
Ler dói... Interpretar machuca... Escrever é tortura...
E assim segue o drama diário do bolsonarista médio, um indivíduo cujo maior pesadelo é se deparar com um texto que ultrapasse o limite sacrossanto das três linhas; porque - sejamos honestos - para esse tipo de gente, qualquer coisa além disso é "textão"... E "textão", acreditam: "só pode ser coisa de comunista!" Ou seja, para essas pessoas, nada é mais opressor do que um parágrafo inteiro pedindo algo tão violento quanto pensar. Mas pensar - vejam bem - é uma atividade subversiva; pensar é o que nos separa do resto do reino animal e abrir mão disso é se entregar a um estado de selvageria organizada, onde instintos primários (medo, raiva e ressentimento) dominam o comportamento. Logo, ser bolsonarista é - sim - abdicar da própria humanidade; é recusar o raciocínio, rejeitar a dúvida e substituir qualquer tentativa de reflexão pelo mais puro automatismo. Um perigo? Sim. Porque a História nos mostra que os que se recusam a pensar são os mais fáceis de manipular. E podemos constatar isso facilmente nas postagens sobre política em quaisquer grupos.
Pois bem, a indigência intelectual dessa fauna peculiar se manifesta de várias formas, todas igualmente constrangedoras; mas veja bem, não é que eles discordem de você, pois para discordar, seria necessário compreender o que foi dito, o que exige um esforço superior ao necessário para rolar a tela em busca do próximo meme! E aí reside o dilema: por que gastar energia lendo quando se pode confiar cegamente num card mal-feito com erros grotescos de português, uma montagem tosca e a certeza absoluta de que "é verdade, tá na internet"?
E então, incapazes de articular qualquer ideia que não caiba numa figurinha do WhatsApp, eles se lançam ao debate político do único jeito que sabem: com memes! Memes que invariavelmente misturam Alexandre de Moraes com Stalin, Lula com Lúcifer e a Ursal com o Foro de São Paulo! Tudo num universo (Brasil) paralelo (?) onde Marx e Soros coordenam um plano diabólico para transformar o Brasil numa filial da Venezuela, porque (claro) o PT quer que todo mundo passe fome, mesmo depois de tirar milhões da miséria (nem preciso dizer que lógica - obviamente - nunca foi o forte dessa gente, né?)
Mas nada supera a relação tensa entre o bolsonarista e a gramática; um caso de amor e ódio, onde o amor nunca existiu e o ódio é apenas ressentimento de quem não sabe a diferença entre "mas" e "mais". Um ambiente onde "mim vai", "menas", "seje" e "estaremos votando" fluem com naturalidade, como se fossem dialetos secretos de uma seita que jura defender o Brasil, mas sequer domina sua própria língua; agora, o mais fascinante é que, mesmo mergulhados nesse oceano de ignorância, eles se sentem superiores. Riem de acadêmicos, debocham de especialistas, desprezam livros (exceto a Bíblia, que citam sem nunca ter lido) e se orgulham de sua resistência à informação, isso quando não estão - através de memes - tentando ofender quem não faz parte do que ficou conhecido como "gado" (e tenta explicar que pão com mortadela é mais gostoso que capim pra essa gente, tenta).
Pois bem, o bolsonarista não lê, ele sente - sente raiva, sente ódio, sente que algo "tá errado aí" e não consegue apontar o que estaria errado e piora - porque não sente necessidade de conferir se é verdade; a crítica vira "lacração", os fatos se tornam "narrativas" e qualquer um que exija uma vírgula no lugar certo é um "esquerdista chorão".
E aí voltamos ao perigo de uma massa que não pensa; afinal a História já nos mostrou esse filme antes, e não termina bem. Hannah Arendt, ao analisar o nazismo, cunhou o conceito de "banalidade do mal" para explicar como Adolf Eichmann, um burocrata medíocre e sem brilho, se tornou um dos principais responsáveis pelo Holocausto... Bem, ele não era um monstro, nem um gênio do mal, ele era um imbecil, um homem comum que simplesmente seguia ordens sem questionar; que não refletia sobre as consequências do que fazia. Que, acima de tudo, não pensava. Soa familiar?
Claro, bolsonaristas não estão planejando genocídios (ainda), mas compartilham com Eichmann essa incapacidade assustadora de duvidar, de refletir, de questionar as ordens que recebem; qualquer Zé Ruela grita num grupo de WhatsApp que "o Brasil será comunista até o final do ano" e eles simplesmente acreditam! O ex-presidente diz que as urnas não são confiáveis e eles simplesmente acreditam. A ideia de verificar, de cruzar informações, de duvidar por um segundo sequer, não passa por suas cabeças; são peões de um jogo que sequer compreendem, servindo a interesses que nem imaginam, enquanto se orgulham da própria ignorância.
Assim, segue o Brasil: abarrotado de pessoas que acham que "influencer" é profissão e "professor" é vagabundo! E o pior é que - no fundo - não é culpa deles; até porque interpretar um texto exige exatamente aquilo que o bolsonarismo combate com unhas e dentes: raciocínio. E onde não há pensamento, só resta obediência cega... E isso, a História já nos provou que nunca acaba bem.
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