Pindamonhangaba... Ah, minha bela, minha encantadora "Princesa do Norte"; onde o tempo parece ter parado em algum ponto entre a Guerra Fria e o surgimento do WhatsApp... Aqui, o anticomunismo solta às rédeas favorecendo o galope, lado a lado com o temor dos famigerados e doutrinantes "Kit Gay" e "Mamadeira de Piroca"... E - é claro - onde a saudade do "mito" ainda ecoa na esquina das redes sociais, como um samba de uma nota só...
Pois bem, nesse cenário (infelizmente) não surpreende que o novo prefeito, filiado ao PL, tenha vencido as eleições com um discurso que parece ter sido extraído diretamente de um grupo de família no WhatsApp, com direito à presença da ex-"terceira" dama em um comício (o que me lembrou de um antigo comercial "Imagem não é nada, sede é tudo" - se não me engano era da Sprite)... E - como era de se esperar - sua primeira nomeação polêmica já está dando o que falar pela cidade; é que o escolhido para a Secretaria de Mobilidade e Trânsito, José Vidal de Souza França Filho (nada pessoal, pois nem o conheço, porém fatos saltaram aos olhos e resolvi compartilhar minha inquietude); então, qual seria o currículo desse ilustre nomeado? Algo relacionado a Engenharia Civil, Urbanismo ou Transporte? Bem, quase isso. Vamos analisar:
Graduado em Educação Física pela faculdade da Polícia Militar, com pós em Fisiologia do Exercício; ótimo para preparar corredores, talvez? Quem sabe para uma maratona entre os semáforos da cidade? Continuando, cursos de Segurança até dizer chega, por exemplo: Tiro Defensivo, Segurança Dignitária em Israel (para desviar de críticas, talvez?), Controle de Distúrbio Civil e Gerenciamento de Crise; quase um personagem de filme de ação! Faixa preta de Judô 3º dan, porque, afinal, nada como um bom ippon para resolver um engarrafamento, certo? Se fosse de Karatê, eu diria tratar-se do Chuck Norris, aquele que apostou com o Superman que quem perdesse o embate entre eles, usaria a cueca por cima da calça. E, para coroar, uma - sob medida - "Especialização em Engenharia de Trânsito e Sinalização de Trânsito" pela enigmática Emil Brunner World University... Uma instituição tão rara que é raro encontrar informações confiáveis sobre ela.
Aqui, é preciso fazer uma pausa para reflexão... Será que o nomeado correu atrás desse diploma para justificar a nomeação? Não estou dizendo que foi isso, mas... bem, a Emil Brunner World University é bastante curiosa, pois se apresenta como “norte-americana aberta por brasileiros” e alega estar “devidamente registrada no Departamento de Educação da Flórida”, ao passo que informa tratar-se de instituição “cadastrada no MEC do Brasil”; contudo, ops! Uma olhadinha mais atenta revela que seus cursos não são credenciados pelo MEC-CAPES. E a cereja do bolo é a foto de uma "aluna" na Times Square com seu diploma, que - na verdade - não passa de uma montagem digna de um trabalho escolar no Paint. Ao vê-la, levantou-se uma sobrancelha, pois me parece que se fosse verdade, usariam uma foto real, não é mesmo? Seria um "fake it till you make it"?
Entretanto, o que mais chama a atenção aqui não é apenas a inadequação do currículo para o cargo, mas sim, a contradição gritante entre o discurso de "ética e moralidade" que tanto ecoa nos círculos da extrema-direita e a prática de nomeações que beiram o absurdo; pois, como pode um grupo que se autoproclama Guardião dos Valores Morais da Sociedade justificar a indicação de alguém com uma formação tão questionável para um cargo tão estratégico? Onde está a ética nisso tudo? Sim, é no mínimo curioso como - em nome da "defesa da família e dos bons costumes" - essas figuras parecem se esquecer de que ética não é só um discurso bonito para ganhar votos; ética é sobre integridade, transparência e competência; é sobre colocar as pessoas certas nos lugares certos, não sobre distribuir cargos como se fossem troféus em um jogo de poder.
Claro, não é de hoje que vemos esse tipo de contradição; afinal, quem se esqueceu do ex-Ministro do Meio Ambiente (Ricardo Salles) que dizia ter feito mestrado em Yale, mas nunca pisou na universidade? Ou da ex-Ministra (Damares Alves) que se apresentava como “Mestre em Educação” e “Mestre em Direito”, mas depois explicou que era “mestre” só no contexto religioso? E, claro, não podemos esquecer do clássico caso do ex-Ministro da Educação (Carlos Alberto Decotelli) que teve seu currículo desmontado como um castelo de cartas. Parece que, para alguns, a ética é como um enfeite de Natal: só aparece em épocas específicas e depois é guardada no armário até o próximo ano.
Mas, cá entre nós, a piada já está ficando cansativa... Afinal, quando pessoas sem a qualificação necessária ocupam cargos estratégicos, quem sempre paga o preço é a população; a escolha do novo Secretário de Mobilidade e Trânsito não me parece apenas inadequada, mas sim, um tapa na cara de quem realmente estudou e se qualificou para a área... E, ao mesmo tempo, é um reflexo de uma política onde o critério não é competência, mas conveniência política, uma das característica do que se convencionou tratar-se como Velha Política. Claro, já há quem diga que trata-se apenas do reforço da prática de 'maquiagem' que ganhou a cidade na gestão anterior, a qual esteve na boca de todos durante a campanha eleitoral.
Num momento em que a ética na gestão pública deveria ser prioridade, essa nomeação soa incômoda, desconfortável.
Enquanto isso, Pindamonhangaba segue no túnel do tempo, onde fatos e competência parecem ser irrelevantes; afinal, o importante é manter o gado no pasto engordando feliz, não é mesmo? E, pelo visto, o pasto está cada vez mais verde para quem sabe jogar o jogo atropelando as regras e a ética... Principalmente se isso signifique pisar nos princípios que - em público - tanto dizem defender. Política, a meu ver, deveria estar acima disso tudo, pelo bem da cidade, pelo bem da população.
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Não me choca as escolhas desse grupo eleito, o que me choca é o povo eleger por maioria esse grupo, acredito então que esse povo se identificou e elegeu por ser igual. E aí são 8 anos pra curtir a escolha popular.
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