Era uma vez um homem chamado Pepe Mujica, mas que poderia ser apenas Pepe... Não porque lhe faltasse grandeza, mas porque ele sempre soube que os verdadeiros gigantes caminham descalços, sentem o cheiro da terra e vivem com a serena humildade que só o amor pela humanidade, pelo mundo, pode ensinar...
Podemos, sinceramente, dizer que Pepe não construiu palácios, mas plantou jardins; que não colecionou títulos e sim, cultivou histórias... Ele, que presidiu uma nação, de escolha própria decidiu morar em uma casinha de campo, ao lado de sua Lucía - companheira de vida e de lutas - cúmplice de sonhos e de esperas... Pepe nasceu no coração de Montevidéu, mas sua alma colossal sempre pertenceu ao campo; a simplicidade não era uma escolha e - sim - sua própria essência. Com suas mãos calejadas e coração enorme, Pepe nos mostrou que o poder não precisa corromper e que a Política pode ser a "Arte de Cuidar"... Durante seu mandato como Presidente do Uruguai, enquanto o mundo se perdia em vaidades, ele abria mão de quase todo o seu salário para ajudar os mais necessitados, porque entendia (e deixa como lição) que governar é também partilhar.
Naquele pequeno Fusca azul, ele não carregava apenas sua história, ali estavam os sonhos de um povo, a luta de décadas, os anos de guerrilha urbana contra a desigualdade social e a repressão da ditadura militar e as cicatrizes da prisão. Pepe era o líder que não precisava de ternos caros para ser ouvido, porque sua voz vinha carregada de uma autoridade que só a verdade confere; de uma sinceridade que não cabia nos discursos ensaiados, mas transbordava na simplicidade de suas palavras.
E agora, Pepe caminha para o pôr do sol de sua vida... Ele enfrenta o câncer com a mesma serenidade com que enfrentou a prisão e o exílio; “estou morrendo”, disse... E não como quem se despede, mas como quem compreende o ciclo natural da existência; não há revolta, não há amargura, apenas a belíssima aceitação da impermanência... E ainda assim, o mundo inteiro sente o peso dessa partida que se anuncia, porque estamos perdendo - pouco a pouco - um dos últimos "Filósofos do Povo"... Ao lado de Lucía (sua companheira de décadas), Pepe vive seus dias finais em sua chácara, onde o canto doce dos pássaros mistura-se com o sussurrar acalentador das árvores... Lá, eles plantam hortaliças, regam flores e celebram a vida como sempre fizeram: com a simplicidade que sabe transformar o comum em extraordinário. Pepe é a lembrança viva de que a verdadeira grandeza não está no ouro, mas na lama que molda a humanidade; ele nos ensina que a felicidade não está em ter, mas em simplesmente ser (algo tão importante - e tão ignorado - nos dias de hoje)... Que a política não é uma carreira, mas uma vocação para servir. e que o Amor - por uma pessoa, por um país, por um ideal - é força inexorável a mover montanhas e transformar destinos.
Quando Pepe se for, o mundo perderá mais um pouco de luz; mas ele nos deixa um legado que jamais se apagará... Suas palavras, suas escolhas, sua vida inteira são sementes que florescerão nos corações daqueles que acreditam que um mundo mais humano é sim possível.
E a mim fica a certeza de que enquanto houver memória, Pepe viverá! Não em estátuas, mas no coração do seu povo e em incontáveis corações mundo afora; não nos livros de História, mas nas vidas que ele tocou... E em cada jardim, em cada riso de criança, em cada ato de bondade desinteressada, lá estará ele: Pepe, um Filósofo da Simplicidade, que nos ensinou a caminhar com os pés na terra e os olhos no horizonte e com o coração pleno em Amor...
Obrigado pelo exemplo de vida, Pepe; pela coragem em transformar dor em luta e simplicidade em grandeza; obrigado por ser o exemplo vivo a nos mostrar que a verdadeira riqueza não está no que acumulamos, mas no que compartilhamos; obrigado por cada palavra sincera, por cada gesto de humildade, por cada semente de esperança que plantou nos corações de tantos... Obrigado por lembrar ao mundo que a política pode ser um ato de Amor e que o poder não precisa nos afastar da terra e sim, nos aproximar do povo; obrigado por viver com coerência, por caminhar com a alma leve e por inspirar gerações a acreditar que um mundo mais justo é possível.
Pepe, obrigado por ser farol, raiz e vento...
Obrigado por ser Pepe.

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